sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Governante, Governanta

Por Emerson Monteiro.
Você me contrata pra trabalhar na sua casa. Eu tenho que cuidar para que a casa esteja limpa, fazer manutenção no encanamento, corrente elétrica, gerador. Preparar comida, administrar o dinheiro que vai pro seu filho ir à escola, as matrículas, o material e uniforme. Mantenho ordenada a estrutura da casa pra que não hajam rachaduras, goteiras nem nenhum perigo para você e sua família. Também ajudo a administrar o dinheiro do seu transporte, manutenção dos seus carros. Afinal, você trabalha muito e tem muito estresse no trabalho pra manter a qualidade da casa.

Além disso acima, eu tenho que fazer a comida. E boa, para que todo mundo possa ir aos seus afazeres diários bem nutridos, principalmente as crianças, que estão em estado de crescimento e precisam de nutrientes.

E também cuido de você e seus filhos em saúde. Adoeceu? Minha tarefa é fazer de tudo pra que sua saúde fique boa. Levo seus filhos no hospital de imediato, com os melhores médicos, pra que tudo fique bem. Todo mundo tem que estar vivendo tranquilamente.

Você me encarrega de fazer isso todo dia, num contrato que dura quatro anos, com o salário de dezoito mil reais por mês. Caso me considere satisfatório, poderá prorrogar o contrato por mais quatro anos.

Apesar de o salário ser relativamente alto, sim, é algo justo. A sua capacidade financeira permite pagar essa quantia para mim sem perder conforto ou qualidade de vida. E é possível de renegociar mais tarde. Mas é uma boa grana, para um bom trabalho.

Eu assumo o trabalho. Entro, mexo nas economias. Acho uma, duas ou três formas de tirar um pouco mais do que você me paga. Eu encontro seu cofre, eu pego as planilhas de cálculo, eu faço pesquisa nos mercados. Faço um ou outro esquema pra tirar, digamos, uns 40 mil a mais além do salário padrão, fazendo com que eu ganhe 58 mil reais por mês pra trabalhar pra você. Mas se eu trabalhar bem, tudo bem roubar essa grana, não? Afinal, eu vou estar roubando mas ainda vou estar trabalhando pra você.

Eu roubo. Como bem, me visto bem, saio para as melhores festas, tenho do bom e do melhor na minha casa. A vida é tão boa que eu nem sinto vontade nem necessidade de trabalhar. Exceto se eu extrapolar meu orçamento. Aí tenho que trabalhar um novo plano de roubar mais dinheiro.

Começo a comprar comida barata. Fazer mal feita. Uso gasolina adulterada, misturada com água, que é mais econômica. Ela vai fazer mal pro seu carro, mas eu preciso juntar minha grana. E ainda vou estar levando seus filhos na escola e você pra trabalhar.

O carro, um Mercedes, dá problema. Ao invés de comprar outro carro à altura, bom, esportivo, luxuoso, eu compro um carro chinês sem manutenção em todo o território nacional. O carro, por sinal, é de segunda mão. E enrolo muuuuuito as transações porque eu também quero tirar um pouco do dinheiro dessa compra de carro novo pra mim. Também mereço uma Mercedes! E melhor que a sua que quem cuida da casa sou eu, oras.

As rachaduras que vão aparecendo com o tempo, degradação natural de materiais, eu só jogo pasta de gesso. Ou, pior. Se eu tiver com muita preguiça, uma faixa mentirosa prometendo a reforma da área em duas semanas. Mas vou enrolar por meses. Anos, se o Sr. me permitir. Mas acho que nem vai lembrar de cobrar, o Sr. trabalha muito.

Cano estourado? A gente compra água ali na esquina. Aproveita o vazamento, corta a conta de água, junta uns baldes e vai todo mundo tomar banho de balde até eu consertar. Mas não posso agora porque tenho outros compromissos. Quais? Não interessa ao senhor saber da minha vida pessoal.

Durante mais de três anos tem sido assim. E eu quero MUITO continuar com esse emprego, ele é tão bom. Mas tenho medo que o senhor não queira mais me contratar. O que eu faço pra segurar esse trabalho?

Já sei!

Vou maquiar as falhas mais detalhadas. E as mais visíveis, eu deixo escancaradas mesmo. Tá ruim. Mas não deu tempo de ajeitar. Quatro anos é muito pouco. A economia não é suficiente, tá faltando verba - porque eu desviei um percentual superior a 200% do meu salário do dinheiro que devia ser investido nas melhorias - e eu preciso de mais tempo pra consertar tudo isso. Eu sei que tivemos esse problema de eu pegar mais dinheiro. Mas olha, comida, água, até um carro novo eu comprei pro senhor. Há dois anos, ainda não chegou. Mas eu comprei! Eu fiz as coisas! Eu roubo, mas eu trabalho! Trabalho sem vontade, com preguiça, insatisfeito, prejudicando quem tá me dando grana, mas trabalho! Por favor, me deixa ficar!

Lendo assim, é uma coisa absurda. E de cara a gente pensa "NUNCA que alguém contrataria um cara desses pra trabalhar em casa. Porra, a gente abre a porta da NOSSA CASA pra um pilantra desses chegar e destruir nossa família? Ah não. Vai pra fora". Pois é. Mas esse é o trabalho de um Prefeito. De um Governador, de um Presidente.

De 2 em 2 anos, temos eleições intercaladas. Uma decide as esferas executivas e legislativas Federais e Estaduais. E outra, a esfera municipal. Esse ano, nós temos eleições municipais. Você lembra de tudo o que já aconteceu desde o início da atual administração, quatro anos atrás? E da administração passada? Conhece os candidatos que nunca assumiram, mas pretendem debutar? Sabe o que eles já fizeram ou podem fazer? Sabemos que tem confiança envolvida, mas é preciso também conhecer a índole do candidato à vaga. Afinal, ele vai decidir como vai ser a sua vida pelos próximos quatro anos.

PESQUISE! INFORME-SE! REAJA!
CHEGA DESSA HISTÓRIA DE "ROUBA, MAS FAZ"!

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Manaus nunca será nem Liverpool, nem Porto Príncipe

No início de 2010 o Haiti sofreu um terremoto devastador que deixou o país mais destruído que as ruas da nossa cidade. Casas, escolas, prostíbulos e igrejas desabaram e ficaram parecendo o centro, naquela região ali da praça da matriz, que querem tombar patrimônio histórico antes que os prédios tombem como os três do Rio.

Como se a vida por lá fosse moleza, o terremoto deixou 220 mil mortos e pelo menos o quíntuplo de pessoas achando melhor ter morrido pra sofrer menos. Já naquela época, muitos haitianos resolveram se mandar do país em busca de sobrevivência. Talvez iludidos pelos números da macroeconomia, pela alegria e caridade oferecida pelas tropas brasileiras em solo haitiano, ou quem sabe pensando nas oportunidades que surgiriam no país da Copa, o destino escolhido por cerca de 2 mil deles foi Tabatinga, no Amazonas.

O problema é que Tabatinga, como toda cidade do interior do Amazonas, só tem duas fontes de renda: Prefeitura e tráfico de drogas. Lá a situação é ainda mais grave por fazer fronteira com Colômbia e Peru. Na Avenida da Amizade o limite com Letícia, na Colômbia, é demarcado por um poste com as bandeiras das duas nações. A cidade só serve pra alimentar a máfia amazonense de drogas, perfumes, uísques e eletrônicos contrabandeados. Mesmo assim, nesses dois anos de “invasão haitiana”, intensificada nos últimos meses, não foi registrado um caso sequer de haitiano envolvido com o tráfico.

O impacto dessa “invasão” é maior em municípios como Tabatinga (1 haitiano a cada 50 habitantes) e mais ainda em Brasileia, no Acre (1/20), tanto pela grande proporção imigrantes/população, quanto pela falta de oportunidade a oferecer. Mas quando os haitianos começaram a ocupar Manaus é que a questão passou a ser tratada como gravíssimo problema social. Manaus tem quase 2 milhões de habitantes. Proporcionalmente, o impacto é mínimo, acho até que temos aqui mais empresas fantasmas do que haitianos, o que não justifica esse bafafá todo.

Mas o fato é que se a presença dos haitianos ainda é mais um incômodo xenofóbico e racista do que um problema sócio-econômico, algumas medidas devem ser tomadas preventivamente, a fim de evitar que passe a ser problema de fato.

IMIGRAÇÃO CONTROLADA

Estima-se que cerca de 6 mil haitianos já estejam no Brasil (leia-se: por aqui) e terão sua situação regularizada. Desde o dia 13 de janeiro eles só podem obter o visto através da embaixada brasileira em Porto Príncipe, limitados a 100 por mês. É dever da embaixada brasileira conscientizar a população de que a imigração ilegal será punida com a extradição.

A fiscalização também deve aumentar tanto lá quanto em nossas fronteiras, buscando desmantelar o esquema dos “coiotes”, que por um valor entre 3 e 4 mil dólares, trazem os haitianos até aqui. Muitos deles fazem empréstimos ou vendem o pouco que têm pra bancar essa aventura: ônibus até a República Dominicana, avião até o Panamá, mais um voo até o Equador, um busão sem ar-condicionado até o Peru e finalmente um barco até Tabatinga. Alguns chegam a passar até 3 dias sem se alimentar.

CONTROLE INTERNO

Deve ser feito o cadastro e o acompanhamento de cada um deles, auxiliar na hospedagem, na ocupação de emprego, na qualificação profissional, na aprendizagem do idioma. Eles me parecem ser disciplinados, honestos e trabalhadores. Se forem tratados com respeito muito provavelmente serão gratos e não desperdiçarão a oportunidade, somente as exceções devem ser punidas com a extradição.

Aproximadamente 1600 haitianos já possuem visto de trabalho com autorização de permanência por 5 anos. Na Polícia Federal em Manaus são atendidos em média 60 haitianos por dia, em Tabatinga, 25 por semana. Enquanto não têm sua situação regularizada eles vagam pela cidade, sem ter como seguir adiante, nem como voltar pra casa. Daí a necessidade de apoio, a fim de evitar a marginalização.

RECUPERAÇÃO DO HAITI

Logo após o terremoto, além da ajuda humanitária, o Haiti recebeu apoio financeiro de várias nações e organizações internacionais para a reconstrução do país. Pelo visto a corrupção é uma das poucas coisas que existem em qualquer lugar do mundo, pois após a constatação do desvio de verbas, muitos deles cortaram as doações.

No dia 1º de fevereiro a presidente Dilma viaja ao Haiti para se encontrar com o atual presidente Michel Martelly, espero que esteja em pauta a reconstrução do país e que eles consigam novamente o apoio de outras nações.

MIGRAÇÃO ORDENADA E BEM DISTRIBUÍDA

Se a reconstrução do Haiti não ocorreu como deveria e a urgência pede que se busquem outras formas de apoio, a migração deve ao menos ocorrer de forma ordenada, com a regularização ainda em território haitiano, colaboração de mais países e em quantidade de migrantes que possa ser atendida sem gerar caos, tomando-se medidas que possam facilitar sua permanência no país de destino. Talvez caiba ao Brasil articular politicamente um apoio maior das demais nações.

Também acho que o Governo Federal precisa distribuir melhor essa carga internamente, inclusive assim podendo atender a um número maior de refugiados, mas não é porque a autorização veio do Governo Federal que o problema seja apenas dele. O Governo do Amazonas não pode simplesmente ignorar a presença dos haitianos aqui, deve sim buscar as medidas de inclusão. Essa história de que precisa priorizar os amazonenses não cola, é mera desculpa pra se esquivar da responsabilidade. Nossos problemas sempre existiram e sempre existirão, a presença dos haitianos não causa grande impacto nessa questão. O grande pecado do haitiano é simplesmente não ter direito a voto, fosse o caso estariam todos sendo recebidos com largos sorrisos e posando pras lentes fotográficas do oportunismo.

HUMANIDADE

Situações como a do Haiti devem resgatar do fundo do que chamamos de alma, mesmo daquelas mais esvaziadas, por qualquer motivo que seja, o mínimo de compreensão. Se você não quer ou não tem como colaborar de alguma forma, ao menos se abstenha de atrapalhar. As divisões territoriais são meras formalidades políticas, que têm lá sua importância para evitar desordem, mas é só. O fato de uma pessoa ter outra nacionalidade, cor de pele, crença religiosa ou costume divergente, não o faz desmerecedor de tratamento respeitoso.

“Esses haitianos” estão aqui em busca de sobrevivência, não pra roubar nossas riquezas, como fazem os ricos e poderosos que tanto respeitamos e tememos. Quem está acostumado a comer biscoito de barro e beber água da sarjeta se contenta com bem menos que nós. É mais fácil esses coitados serem explorados que nos causarem algum mal, tão visível é a posição de inferioridade com que nos olham.

É fácil lutar pela igualdade quando é pra nos igualarmos aos que têm mais, nunca pra que os que têm menos se igualem a nós. Os haitianos mal nos conhecem e já nos amam, o mínimo que devemos fazer é não odiá-los.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Occupy the System

Os jovens gostam de política, mas odeiam os políticos e os partidos. Por sua vez, os políticos e partidos também odeiam os jovens. Essa é a conclusão que se obtém de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a Agência Box 1824.

 “59% dos jovens entrevistados, na faixa de 18 a 24 anos, não tem preferência por um partido político.”

Após analisar a pesquisa e somar experiência própria, enumero alguns fatores que diminuem consideravelmente a atração dos jovens pelos partidos políticos:

1)    Medo de perder a independência - A politicagem que impera nos partidos políticos deixa o jovem receoso de acabar de mãos atadas pela cartilha partidária e pelos acordos políticos. O jovem não quer apenas erguer bandeiras, bradar gritos de guerra, repetir discursos vazios, ele quer pôr sua rebeldia e indignação em prática e os partidos precisam aprender a respeitar e valorizar sua opinião.

2)    Desilusão - As frequentes notícias de corrupção deixam o jovem com receio de se envolver demais em um partido e acabar por se tornar um refém de práticas que outrora considerava repudiáveis. É válido questionar isso, mas os atuais políticos não vão mudar de uma hora pra outra. É necessário justamente o envolvimento de quem tem essa preocupação. “Eu quero é ter tentação no caminho, pois o homem é o exercício que faz”, cantou Raul Seixas.

3)    Falta de espaço - Sim, a prioridade é dos “políticos profissionais” e geralmente os jovens que conseguem algum espaço são os filhos dos “figurões” ou outros com mero potencial eleitoral oportuno. Mas se você tem algo a oferecer, o espaço surge aos poucos, é um período de desconfiança e adaptação tanto pra você quanto pro partido. Afinal, qualquer partido prefere ter um potencial bom político como aliado a tê-lo como inimigo.

4)    Formalidade - Um fator de menor importância, mas que não é nem um pouco atrativo. O jovem é acostumado a conversas de bar e piadas nas redes sociais e de repente tem que elaborar atas de reuniões e se reportar a superiores, essa formalidade torna-se inibidora de uma atuação plena e natural por parte deles.

5)    Pessoal x Partidário – Invariavelmente seu comportamento muda. O jovem às vezes quer apenas ser alguém fazendo algo por outro alguém. Pra isso ele não precisa mudar completamente seus costumes, ideias ou estilo de vida. Claro que se algum comportamento for completamente de encontro ao consenso do partido e da sociedade, é preciso se adequar a isto, mas o próprio jovem deve rever seus conceitos e evoluir. Qualquer imposição é abominável.

A fórmula dos partidos pra atingir os jovens continua sendo a mesma de sempre: movimento estudantil. Mas a ocupação de grêmios estudantis nas escolas e diretórios centrais nas universidades não adianta se o comportamento tomando à frente dessas instituições não mudar. Da forma como acontece hoje se formam políticos novos de modelo antigo.

Uma aposta ainda mal utilizada pelos partidos é a internet. Pelas redes sociais, principalmente, é fácil encontrar pessoas com consciência política e interesse em participar de algo que possa influenciar positivamente na sociedade. Falta aos partidos políticos mostrarem que eles são uma opção, mas pra isso é preciso alinhar seu discurso com sua atuação histórica, na internet é mais difícil encontrar um jovem incauto, disposto a servir de massa de manobra. Com cuidado e dedicação, em um mês é possível garimpar na internet o que levaria um ano pra encontrar nas ruas.

Outra característica notável naquela pesquisa é que a maioria dos jovens deseja que as mudanças aconteçam, mas acabam não participando ativamente delas. Portanto, os partidos e a corrupção do sistema político figuram como mera desculpa pra um menor envolvimento.

“92% dos jovens acredita que as pequenas ações têm o poder de mudar a sociedade. Mas dentre estes, apenas 8% faz parte de algum grupo civil organizado, ONG ou movimento apartidário.”

O poder de mudança social de um Governo é infinitamente maior que a de um grupo de cidadãos, mas mesmo os jovens que não acreditam que existam governantes com espírito público capaz de realizar tais mudanças, acabam por não se envolver nem na política nem nos grupos civis que buscam, mesmo que limitadamente, dar sua contribuição.

A mudança todo mundo quer, ninguém quer é ter que fazê-la. Aos poucos jovens que ainda querem essa mudança fica a missão de ocupar os partidos políticos, as universidades, os meios de comunicação ou os movimentos sociais e transformar essa realidade.

Não adianta mais lutar contra o sistema, é hora de ocupá-lo.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Manifesto ao povo amazonense

Em uma democracia justa, todo poder deveria emanar do povo, pelo povo e para o povo, principalmente através dos representantes escolhidos no processo eleitoral e responsáveis pela elaboração das nossas leis. Infelizmente, a realidade no nosso Estado está longe da que merecemos por direito.

A distorção da democracia se inicia justamente no processo eleitoral, onde a maioria dos candidatos faz uso de dinheiro público ou de origem escusa em busca da eleição. Os salários dos cargos a que se candidatam não justificam os gastos de campanha. Depois das eleições, tudo que é investido pelos partidos e seus financiadores é retirado em dobro dos cofres públicos através de licitações fraudulentas, obras fantasmas, uso abusivo e indiscriminado dos cartões corporativos, verbas de gabinete e cargos de confiança.

O dinheiro que deveria ser investido em Educação, Saúde, Saneamento, Segurança, Transporte Público e Urbanização, é gasto em projetos mirabolantes que quando saem do papel não trazem benefícios que os justifiquem. Todas as “realizações” dos Governos são apenas formas de desviar grandes quantidades de verbas públicas para a manutenção desse podre sistema que atravanca o crescimento do nosso Estado há décadas.

O que precisamos é de uma política pública séria, que busque minimizar o estado de abandono em que se encontra nossa capital e principalmente os municípios do interior. Nós não precisamos de pontes bilionárias ou arenas monumentais. Precisamos de saneamento básico, ensino e transporte público de qualidade aceitável. O que nós queremos são professores, médicos e policiais valorizados, escolas, hospitais e delegacias bem equipadas.

Chega de obras superfaturadas, obras fantasmas, empreiteiras em nome de laranjas. Chega da compra de votos, de tirar proveito da miséria da população a fim de mantê-la ignorante. Chega de censura e intimidação dos eleitores, de controle da mídia e do aparelhamento das instituições fiscalizadoras.

É um absurdo que juízes sejam “punidos” com aposentadoria compulsória, que candidatos eleitos sabidamente pela compra de votos, abuso do poder econômico e utilização indevida de concessões públicas, tomem posse e cumpram seus mandatos sem qualquer incômodo. É um absurdo o que se gasta com cartões corporativos, verbas indenizatórias e auxílios esdrúxulos. É um absurdo o aumento abusivo dos salários e benefícios dos parlamentares, aprovados por eles mesmos sem qualquer constrangimento.

E tudo isso feito dentro da Lei.

Não podemos mais nos calar diante do que acontece diariamente nos bastidores da política amazonense. Se nossos deputados e vereadores não cumprem o papel de fiscalizar o poder executivo e, pelo contrário, participam vorazmente dos saques ao erário, cabe a nós, cidadãos amazonenses, exigir que o maltratado povo do nosso Estado seja respeitado pela classe política.

Reaja, amazonense. Pela sua família, pelo nosso povo, pela nossa terra.