Os jovens gostam de política, mas odeiam os políticos e os partidos. Por sua vez, os políticos e partidos também odeiam os jovens. Essa é a conclusão que se obtém de uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha em parceria com a Agência Box 1824.
“59% dos jovens entrevistados, na faixa de 18 a 24 anos, não tem preferência por um partido político.”
Após analisar a pesquisa e somar experiência própria, enumero alguns fatores que diminuem consideravelmente a atração dos jovens pelos partidos políticos:
1) Medo de perder a independência - A politicagem que impera nos partidos políticos deixa o jovem receoso de acabar de mãos atadas pela cartilha partidária e pelos acordos políticos. O jovem não quer apenas erguer bandeiras, bradar gritos de guerra, repetir discursos vazios, ele quer pôr sua rebeldia e indignação em prática e os partidos precisam aprender a respeitar e valorizar sua opinião.
2) Desilusão - As frequentes notícias de corrupção deixam o jovem com receio de se envolver demais em um partido e acabar por se tornar um refém de práticas que outrora considerava repudiáveis. É válido questionar isso, mas os atuais políticos não vão mudar de uma hora pra outra. É necessário justamente o envolvimento de quem tem essa preocupação. “Eu quero é ter tentação no caminho, pois o homem é o exercício que faz”, cantou Raul Seixas.
3) Falta de espaço - Sim, a prioridade é dos “políticos profissionais” e geralmente os jovens que conseguem algum espaço são os filhos dos “figurões” ou outros com mero potencial eleitoral oportuno. Mas se você tem algo a oferecer, o espaço surge aos poucos, é um período de desconfiança e adaptação tanto pra você quanto pro partido. Afinal, qualquer partido prefere ter um potencial bom político como aliado a tê-lo como inimigo.
4) Formalidade - Um fator de menor importância, mas que não é nem um pouco atrativo. O jovem é acostumado a conversas de bar e piadas nas redes sociais e de repente tem que elaborar atas de reuniões e se reportar a superiores, essa formalidade torna-se inibidora de uma atuação plena e natural por parte deles.
5) Pessoal x Partidário – Invariavelmente seu comportamento muda. O jovem às vezes quer apenas ser alguém fazendo algo por outro alguém. Pra isso ele não precisa mudar completamente seus costumes, ideias ou estilo de vida. Claro que se algum comportamento for completamente de encontro ao consenso do partido e da sociedade, é preciso se adequar a isto, mas o próprio jovem deve rever seus conceitos e evoluir. Qualquer imposição é abominável.
A fórmula dos partidos pra atingir os jovens continua sendo a mesma de sempre: movimento estudantil. Mas a ocupação de grêmios estudantis nas escolas e diretórios centrais nas universidades não adianta se o comportamento tomando à frente dessas instituições não mudar. Da forma como acontece hoje se formam políticos novos de modelo antigo.
Uma aposta ainda mal utilizada pelos partidos é a internet. Pelas redes sociais, principalmente, é fácil encontrar pessoas com consciência política e interesse em participar de algo que possa influenciar positivamente na sociedade. Falta aos partidos políticos mostrarem que eles são uma opção, mas pra isso é preciso alinhar seu discurso com sua atuação histórica, na internet é mais difícil encontrar um jovem incauto, disposto a servir de massa de manobra. Com cuidado e dedicação, em um mês é possível garimpar na internet o que levaria um ano pra encontrar nas ruas.
Outra característica notável naquela pesquisa é que a maioria dos jovens deseja que as mudanças aconteçam, mas acabam não participando ativamente delas. Portanto, os partidos e a corrupção do sistema político figuram como mera desculpa pra um menor envolvimento.
“92% dos jovens acredita que as pequenas ações têm o poder de mudar a sociedade. Mas dentre estes, apenas 8% faz parte de algum grupo civil organizado, ONG ou movimento apartidário.”
O poder de mudança social de um Governo é infinitamente maior que a de um grupo de cidadãos, mas mesmo os jovens que não acreditam que existam governantes com espírito público capaz de realizar tais mudanças, acabam por não se envolver nem na política nem nos grupos civis que buscam, mesmo que limitadamente, dar sua contribuição.
A mudança todo mundo quer, ninguém quer é ter que fazê-la. Aos poucos jovens que ainda querem essa mudança fica a missão de ocupar os partidos políticos, as universidades, os meios de comunicação ou os movimentos sociais e transformar essa realidade.
Não adianta mais lutar contra o sistema, é hora de ocupá-lo.
"A fórmula dos partidos pra atingir os jovens continua sendo a mesma de sempre: movimento estudantil." E muitos que participam acabam mais adiante confusos entre "esquerda" e "direita", entre o bem coletivo e suas necessidades pessoais. Não basta só bater de frente, é preciso dar soluções, e quando se chega a esse nível de maturidade, talvez já esteja com a lama até no pescoço, envolvido com os joguetes e acordos políticos.
ResponderExcluir@ronierefreitas
ops.. até o pescoço ou até o tucupi!
ResponderExcluirMuito bom! Vamo ocupar então ! Eu tenho uma entrada p parceria quando vc puder...
ResponderExcluirO jovem quer mudança, mas além de todos esses fatores que impedem o jovem de atuar efetivamente nessa mudança existe também o medo de combater algo tão grande, de falar, de questionar, de pedir satisfações dos políticos de como está sendo aplicado o dinheiro público. Na minha opinião esse é um fator importante que deve ser trabalhado, eu sei que a união faz a força mas a FORÇA também destrói a União e ultimamente é o que mais tem acontecido.
ResponderExcluirPor experiencia própria posso dizer que é normal um jovem nao politizado e que nunca tenha tido a oportunidade de participar de uma agremiação escolar, clube de jovens, movimento estudantil (secundarista ou superior) tenha a total desinformação sobre como funciona, realmente, a politica, os politicos e as formas de fazer politica. por tanto, normal tambem que a pesquisa saia com esse resultado. Agora, cabe a quem está dentro do processo provocar o interesse nesses jovens e trazê-los para discutir politicas públicas e partidárias. Quanto a ser subalterno, a vida é assim. Sempre vai ter um que vai mandar e outro para obedecer. Cabe a cada um de nós escolhermos o que queremos.
ResponderExcluirAdilson Bezerra
“92% dos jovens acredita que as pequenas ações têm o poder de mudar a sociedade. Mas dentre estes, apenas 8% faz parte de algum grupo civil organizado, ONG ou movimento apartidário.”
ResponderExcluirNada mais natural a ideologia predominante ser a de que as pequenas coisas contam --- é tranquilizante para quem faz pouco =) Racionaliza as escolhas.